Merecem particular referência na actual exposição permanente:

 The Honourable East India Company’s ship Dunira passing Funchal Bay on the Island of Madeira  

The Honourable East India Company’s ship Dunira passing Funchal Bay on the Island of Madeira
Thomas Buttersworth, 1830
Óleo sobre tela

Esta peça foi adquirida a 29 de Outubro de 2008, na leiloeira CHRISTIE’S. O autor, Thomas Buttersworth, nasceu na Ilha de Wight a 5 de Maio de 1768, e destacou-se como pintor na representação de temas marítimos, sobretudo no desenho habilidoso e exímio de navios, outras embarcações e batalhas navais, justificado em parte pela sua experiência e carreira naval desenvolvida entre 1795 e 1800, junto da Costa Atlântica. A pintura representa uma visão fantasista e romântica da Baía do Funchal e da Costa Sul da Ilha da Madeira (perspectiva desde o Cabo Girão até a Ponta do Garajau), tendo em primeiro plano o navio Dunira, pertencente à Companhia das Índias Orientais Inglesa. Esta representação é fundamental para o estudo da iconografia da cidade do Funchal e para perceber a relação e a importância que a Madeira teve nas rotas marítimas, comerciais e de navegação do império colonial inglês na centúria de Oitocentos.


Exposição de Glíptica

 Colecção de Glíptica

 
O Museu Quinta das Cruzes apresenta pela primeira vez ao público o núcleo de Glíptica. Esta colecção, rara no contexto português pela sua natureza, engloba 112 peças, das quais estão expostas 64, entre entalhes e camafeus, com exemplares romanos que vão desde o século III a.C. ao século IV d.C., bem como ainda peças modernas do século XVI ao XIX.

A palavra Glíptica deriva do verbo grego gliptw, que significava a arte de gravar pedras duras por incisão (entalhes) e que, mais tarde, designaria também o trabalho de desbaste em camadas, de modo a fazer sobressair as figuras talhadas em relevo (camafeus). Esta colecção, formada por um total de 112 peças, é um exemplo das muitas colecções que ainda hoje se fazem, guiadas por um critério quase sempre estético e que não reflectem a variedade e usos que outrora tiveram estas pequenas obras de arte. Recordemos que as pedras gravadas nasceram com a função primordial de selo, como necessidade de autenticar a propriedade e como marca ou sinal de algo muito apreciado e respeitado, inclusive, de carácter pessoal. Mas breve irão adquirir novas funcionalidades, segundo as culturas e as sociedades.

A colecção agora reunida foi doada ao Museu por César Filipe Gomes, em 1962.
Este núcleo foi alvo de estudo e classificação pela Professora Doutora Raquel Casal Garcia (Catedrática da Universidade de Santiago de Compostela), em colaboração com a investigadora Dr.ª Graça Cravinho.


Relógio do Imperador Carlos D’Áustria

 relógio do Imperador Carlos d'Áustria




 





O Museu recebeu, no dia 6 de Março de 2009, por doação, um relógio de bolso que pertenceu ao Imperador Carlos D’Áustria e que também se encontra agora exposto. O relógio em ouro, que apresenta monograma coroado, desenhado e cravejado de diamantes, foi executado numa das mais famosas casas relojoeiras da Europa, a casa Breguet, fundada em Paris, em 1775 por Abraham-Louis Breguet (1747 –1823). Esta firma teve, ao longo dos séculos, destacados clientes como Maria Antonieta e o seu marido Luís XVI, Napoleão Bonaparte, o Czar Alexandre I da Rússia, Jorge III de Inglaterra, a rainha Vitória, George Washington, entre muitos outros.
Esta singular peça de joalharia, datada do início do século XX, foi oferecida pela família imperial ao Dr. Nuno Alberto Queriol de Vasconcellos Porto, um dos médicos assistentes de Carlos D’Áustria, em reconhecimento pelos serviços clínicos prestados.
Herdado pela sua filha primogénita, Maria de Lourdes Machado Lemos de Vasconcellos Porto, foi após a sua morte, doado à Região Autónoma da Madeira a 6 de Março de 2009, pelo seu marido Dr. Diogo Castelbranco de Paiva Brandão, em concordância com toda a sua família.


Cadeirinha do Século XVIII

 cadeirinha restaurada  



Também em exposição pela primeira vez destaca-se uma Cadeirinha de fabrico francês, datada da segunda metade do século XVIII.
A cadeirinha, na Europa, surge em França, tendo passado a Itália e pouco depois a Inglaterra, cerca de 1630. A predilecção britânica por este meio de transporte fez com que no final do século XVIII mais de 2 000 veículos circulassem em Londres. É durante o período de 1745-1775 que as cadeirinhas atingem o seu auge, marcando presença em todas as capitais europeias.
Esta peça foi generosamente doada ao Museu, em 2001, pelo Dr. Martim Diniz e sua Mulher, Senhora D.ª Ana Maria Abreu Diniz, e sofreu um complexo tratamento de restauro entre os anos de 2005-2007, no então designado Instituto Português de Conservação e Restauro (Lisboa), envolvendo os departamentos de Têxteis, Mobiliário e Metais.